terça-feira, 3 de abril de 2018

Prefeitura busca economizar 10% na conta de luz com energia solar nas escolas



A Prefeitura de Fortaleza deve lançar, nesta semana, edital para escolher as empresas que farão estudo de viabilidade econômico-financeira para a Parceria Público-Privada (PPP) que será responsável pela geração de energia solar (fotovoltaica) nas escolas municipais. O projeto visa reduzir o valor da conta de energia das escolas, que atualmente custa cerca de R$ 11 milhões por ano aos cofres municipais. O montante representa 10% do que o Município gasta anualmente com luz elétrica, R$ 111 milhões.
O valor do investimento necessário à instalação de placas solares nos prédios da rede de ensino será definido no edital. O projeto já chamou a atenção seis empresas. De acordo com o secretário municipal de Governo, Samuel Dias, o processo terá início com o lançamento de uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI), etapa que antecede a PPP.
“O edital será o mais aberto possível, até mesmo a energia eólica pode entrar. O projeto vai contemplar toda a rede municipal de ensino, que hoje conta com 558 prédios”, afirma o secretário, ressaltando que, além se ser uma contribuição para o meio ambiente, a ação vai desonerar os cofres da Prefeitura. “Nossa expectativa é que tudo seja implantado até o fim deste ano. É algo que queremos para ontem”, observa.
Para o consultor na área de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará da (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará, Jurandir Picanço, o projeto beneficiará a Cidade. “É um programa elogiável. Espero que a Prefeitura tenha sucesso”, declara.
Segundo ele, o retorno do investimento em um projeto desta natureza é variável, pois depende das condições mais adequadas para a instalação das placas solares, como incidência de insolação e valor da tarifa paga à distribuidora de energia. “Quanto maior a tarifa da concessionária, que é a Enel, no caso do Ceará, mais rápido será o retorno. É um investimento que se paga, geralmente, de três a sete anos”, explica.
O valor dos projeto, acrescenta o especialista, também depende da dimensão do local a ser implantado. “Nas instalações de baixa tensão, que são as mais comuns, como residências, pequenas indústrias e padarias, varia de R$ 20 mil a R$ 600 mil, em função do consumo que se deseja”, exemplifica. “Para as escolas, que são de alta tensão, os custos dos projetos devem partir para R$ 300 mil por por prédio, em média”.
Iniciativa semelhante já se verifica em escolas do Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, que usam energia solar para diminuir os custos com energia. Em Fortaleza, a Escola de Tempo Integral (ETI) Professor Alexandre Rodrigues de Albuquerque, inaugurada em março do ano passado no bairro Siqueira, já conta com dez placas fotovoltaicas para produção da própria energia. Estimada em 4.500 kWh/ano, a produção gera uma economia de cerca de R$ 2 mil anuais.
No cenário nacional, Picanço avalia que o Brasil está caminhando bem no setor de energias renováveis, com destaque para o estado de Minas Gerais. Ele lembra que o Governo do Ceará já criou, em janeiro de 2017, o Fundo de Incentivo à Eficiência Energética e Geração Distribuída (FIEE) para aplicação de energias renováveis nos prédios públicos.
Conforme dados do Governo Federal, o Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas ainda são as fontes principais, respondendo por 64% da produção. Uma matriz pouco diversificada pode resultar em problemas de abastecimento, causando insegurança energética.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Satélite vai monitorar o meio ambiente do Ceará



Alta tecnologia na palma de uma mão. Assim pode ser descrito o primeiro satélite cearense, previsto para ser lançado ao espaço entre os anos de 2019 e 2020. Em desenvolvimento pelo Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC), da Universidade Federal do Ceará (UFC) desde de 2015, o Satélite para Análise e Coleta de Dados Experimentais (Sacode) será o primeiro de uma rede nacional para monitoramento ambiental do Estado, tendo como objetivo enviar dados sobre o Semiárido brasileiro para a Terra.

O equipamento pesa até dois quilos e é classificado como nanosatélite ou CubSate, por possuir dimensões multiplas de 10 cm x 10 cm x 10 cm, o equivalente a uma unidade (1U). De acordo com o coordenador adjunto do projeto, professor Jarbas Silveira, esse tamanho padrão para satélites do tipo permite um lançamento mais rápido e custos menores. "Assim podemos focar nos experimentos. Hoje, existe uma tendência de lançar satélites menores e a ideia é que se lancem mais satélites CubSate, como uma constelação, pois eles têm característica de existir como múltiplas unidades", diz.

Altitude
Quando lançado, segundo explica, o Sacode pode se localizar em uma órbita de 400 km a 1 mil km de altitude, com missão que deve durar dois anos. Nesse período, a estimativa é que o equipamento mande dados, com comunicação de seis a sete vezes ao dia, que servirão para monitorar as estações de plataforma do Semiárido nordestino, as condições do solo, umidade, temperatura, além de permitir o estudo da Ionosfera, que é a camada da atmosfera caracterizada por conter cargas de íons e elétrons.

"Nesse estudo da Ionosfera pretende-se verificar os efeitos da radiação, como a recuperação de falhas por incidência de partículas radioativas e o envelhecimento de recursos integrados por absorção de radiação acumulada", detalha.

Computador
Quando pronto, o Sacode atuará por meio de um computador de bordo específico para nano satélite, já construído por um aluno de Mestrado da UFC e, atualmente, na fase final de testes no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Segundo o professor Jarbas Silveira, a equipe busca financiamentos para custear o restante do projeto, orçado em R$ 2 milhões, sendo R$ 650 mil destinados apenas para o lançamento. "Se for para contratarmos uma base de lançamento provavelmente será em alguma unidade fora do Brasil, mas é possível entrarmos em uma parceria para lançar da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão".

Sob a coordenação do professor João César Mota, o Sacode é um dos projetos em desenvolvimento no LESC, que faz parte do Departamento de Engenharia de Teleinformática (DETI) da UFC, em parceria com o Inpe, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Agência Espacial Brasileira (AEB). A equipe do projeto ainda é composta por cinco alunos da graduação, dois mestrandos e um doutorando.

Necessidade
De acordo com o Inpe, o uso de satélites com objetivo no monitoramento de dados do meio ambiente é uma necessidade que vem sendo suprida pelo Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) desde o ano de 1993. 

O sistema vem sendo usado para monitorar bacias hidrográficas, como meio de previsão meteorológica e climática, para análise dos níveis de poluição e no prognóstico e mitigação de desastres naturais.

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